16/05/2006

O Véu da Noiva

Conto · publicado originalmente em 16/05/2006
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Ana não tinha sonhos, nem sabia mentir. Quando virou moça, a estrela rosa da manhã deixou em sua janela uma flor rubra, banhada de suor e medos. A menina, nesse dia, andou mil léguas para beber leite e mel. Voltou exausta e faminta. Dormiu e veio a noite do segundo dia. Em sonhos, uma virgem cantava uma cantiga fina como a chuva; havia uma terra negra e as primícias do amor e das dores. Ana comeu os frutos mais doces nesse dia. A mãe morava distante, veio e lhe trouxe um noivo. Beberam vinho na terceira noite. O sonho era um cavaleiro branco de tez rude e terna, com um pássaro azul e branco no ombro direito e uma espada. Para casar com o cavaleiro, a menina foi buscar num velho baú de aranhas um véu avoengo, tecido pelas mulheres de outrora. Vestida de medo e alegria, a menina casou, em sonho antigo, com seu cavaleiro de espada rude e tez fraterna. O véu a ensinou a mentir e tecer longas estórias de sua nudez.

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