Soneto Erótico
Soneto erótico encontrado em caderno manuscrito atribulado a Bocage e Pedro José Constâncio.
Poemas e vozes de autores que fizeram companhia ao blog. 60 texto(s) no acervo.
Soneto erótico encontrado em caderno manuscrito atribulado a Bocage e Pedro José Constâncio.
Seleção de poemas traduzidos de Rainer Maria Rilke por Paulo Quintela, Paulo Plínio Abreu e Augusto de Campos.
Soneto de Jorge Luis Borges sobre a cegueira, a identidade e a passagem do tempo.
Poema de José Paulo Moreira da Fonseca publicado em 'A tempestade e outros poemas' (1956).
Poema conciso sobre a paciência e o abrigo do caracol.
Poema de visões intensas e erotismo visceral de Hilda Hilst.
Poema e zamba argentina em homenagem à poetisa Alfonsina Storni, autoria de Félix Luna.
Poema de Machado de Assis sobre a transição e o mistério entre a infância e a juventude feminina.
Soneto erótico de Manuel Bandeira.
Ode descontínua e Remota para Flauta e Oboé, de Ariana para Dioníosio, canção III III A minha Casa é gurdiã do meu corpo E protetora de todas minhas ardências. E transmuta em palavra Paixão e veemência E minha boca se faz fonte de prata Ainda que eu grite à…
abro a porta vejo a fumaça no asfalto o sol me cega eu sigo em frente encaro o sol deixo meu rastro para trás o dia corre assim veloz o dia corre além de nós e eu vou me desviando das aeronaves que aterrissam a todo instante morrer já não parece novo já não…
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...................................................................Para PD O homem não morre mineral. Morto e sem gestos que ele esteja, logo põe-se a exportar a morte: mal a tem, mas já a mercadeja. Por isso é que amarram-lhe a boca, tapam-lhe de algodão as…
Enterramento Lêmure (solo) Quem fez esta casa, espaço mesquinho, A golpes de pá e de escavadeira? Lêmure (coro) Hóspede negro, vestido de linho, estais muito bem nesta casa estreita. Lêmure (solo) Ninguém pôs a mesa na sala fria, Nenhuma cadeira na sala…
Há um contar de si no escolher, no buscar-se entre o que dos outros, entre o que os outros disseram mas que o diz mais que todos (como, em loja de luvas, catar no estoque todo, a luva sósia, essa luva única que o calça só, melhor que os outros). João Cabral…
Ouça o original: Conteúdo multimídia/interativo do blog original não está disponível neste backup. E leia a tradução: Li T'ai-Po (Tradução de Augusto de Campos via Ezra Pound) Pelo Portão do Norte sopra o vento carregado de areia, Solitário desde a origem do…
Ouça o poema na voz de Paulo Autran: Conteúdo multimídia/interativo do blog original não está disponível neste backup. No plaino abandonado Que a morna brisa aquece, De balas traspassado – Duas, de lado a lado –, Jaz morto, e arrefece. Raia-lhe a farda o…
Oh, a loucura da grande Cidade, quando, à noite, junto ao muro negro, aleijadas árvores se erguem boquiabertas, e, por uma máscara de prata, o Espírito do Mal se ri; a luz, com flagelo magnético, a pétrea noite expulsa. oh, o submerso dobrar dos sinos pelo…
Para não apanhar mais falou que sabia fazer bolos: virou cozinha. Foi outras coisas para que tinha jeito. Não falou mais: Viram que sabia fazer tudo, até molecas para a Casa-Grande. Depois falou só, só diante da ventania que ainda vem do Sudão; falou que…
Tome a palavra suja, “cabeluda” e com c'aspas, essa que tem açúcar no sangue, e sobre taxa. Tome a que, sendo escrava da tribo e do tributo, mostra o corpo as marcas de lacre, logro e lucro. Pode ser a de baixo calão, a manteúda, como opção, como cágado, essa…
Amor – pois que é palavra essencial comece esta canção e toda a envolva. Amor guie o meu verso, e enquanto o guia, reúna alma e desejo, membro e vulva. Quem ousará dizer que ele é só alma? Quem não sente no corpo a alma a expandir-se até desabrochar em puro…
A Morte, que da vida o nó desata, os nós, que dá o Amor, cortar quisera na Ausência, que é contr' ele espada fera, e co Tempo, que tudo desbarata. Duas contrárias, que üa a outra mata, a Morte contra o Amor ajunta e altera: üa é Razão contra a Fortuna…
Dos rubros flancos do redondo oceano Com suas asas de luz pendendo a terra O sol eu vi nascer, jovem formoso Desordenando pelos ombros de ouro A perfumada luminosa coma, Nas faces de um calor que amor acende Sorriso de Coral deixava errante. Em torno a mim…
Ó, flor exausta e seu destino de luz: os astros gemem. pendendo sobre o vasto aposento golpeado, o mar entra no rio. O mar entra no rio e os astros gemem (sobre vasos de luz a flor se esgota como tudo esquecida dos mínimos espaços: flor exausta.) como tudo…
(Ariadne on Naxos , John Vanderlyn) Em teu triste corpo não mais encontro Aquela noturna glória de quando nos labirintos De Minos erguias-me a vida como flama Dançando sobre o áspero campo dos mortos. Tu não eras quem eu queria. Enganei-me. E hoje te…
Livro I Eu, que entoava na delgada avena Rudes canções, e egresso das florestas, Fiz que as vizinhas lavras contentassem A avidez do colono, empresa grata Aos aldeãos; de Marte ora as horríveis Armas canto, e o varão que, lá de Tróia Prófugo, à Itália e de…
Livro I O que as messes alegre; o astro que mais convide a revolver o solo, e a armar no olmeiro a vide; criação de armento e fato; e quanto de ciência o parco enxame pede, e ensina a experiência Mecenas, vou cantar. Fanais do etéreo espaço, que pelos céus…
Ses longs cheveux épars la couvrent tout entière La croix de son collier repose dans sa main, Comme pour témoigner qu'elle a fait sa priere. Et qu'elle va la faire em séveillant demain. A. de Musset Uma noite, eu me lembro... Ela dormia Numa rede encostada…
às vezes o desespero enfrenta o impossível em pequim multidão assustada um anônimo enfrentou de peito aberto o poder dos tangues ele contra os tanques e os tanques tremeram com a coragem alucinada alucinação maior que o mundo mais forte que as armas atômicas…
Canto Alcolea de Calatrava onde, porém, não há progresso. A água nos vem, toda, das nuvens e do suor do camponês. Todo o alimento vem da terra e todo o pão é terra convertida. Todas as vacas são terra posta de pé mugindo leite com lenha sobre o dorso, cada…
Com peras amarelas E repleta de rosas silvestres A terra estende-se por cima do lago, Vós graciosos cisnes! E embriagados de beijos Molhais a cabeça Na sagrada e sóbria água. Pobre de mim ! onde irei buscar Quando for Inverno, as flores e Onde o brilho do Sol…
ALONGA os braços e apanha as coisas mais distantes e mais estranhas Fora da intimidade de seus dedos nada fica (Amor e ódio) Nem vasos quebrados nem berços vazios nem reis ou mendigos nem cães vadios. Anderson de Araújo Horta em "Invenção do Espanto" de 2004
Para o pequeno André Filipe Já em ti se repete, pequeno sonho, o ritmo antigo do dia e da noite e das horas que vêm preencher a urna esquecida. Não caminhas ainda e já teus braços anseiam enquanto no espaço profundo -que espraias com olhos de sono- o tempo se…
I . En su grave rincón, los jugadores Rigen las lentas piezas. El tablero Los demora hasta el alba en su severo Ambito en que se odian dos colores. . Adentro irradian mágicos rigores Las formas: torre homérica, ligero Caballo, armada reina, rey postrero,…
Era um terreno baldio, era noite. Alguém acendeu a sala da casa próxima e conciso, o clarão veio surpreender uma égua que aleitava sua cria. O ouro da lâmpada No verde de humildes arbustos, Nos flancos brilhantes, O silencioso latejar do sangue à mercê das…
Conteúdo multimídia/interativo do blog original não está disponível neste backup. William Blake (tradução e voz de Augusto de Campos) colhido no excelente blogue do Som Barato (que disponibiliza músicas gratuitamente) .
1 - O silêncio Ouve, filho meu, o silêncio. É um silêncio ondulado, um silêncio, onde ecos e vales escorregam e que inclina as frontes para o chão. 2 – Malaguenha A morte entra e sai da taberna. Passam cavalos negros gente sinistra pelos fundos caminhos da…
No campo, em que o luar engrinalda a escumilha, O par freme de amor, a noite dorme e brilha. Ele, o poeta aldeão, era humilde pastor; Ela, a fidalga, expunha a mocidade em flor. Ao longe da mansão, quantos beijos ao vento!... Quantas juras de afeto à luz do…
Quando Ismália enlouqueceu, Pôs-se na torre a sonhar... Viu uma lua no céu, Viu outra lua no mar. No sonho em que se perdeu, Banhou-se toda em luar... Queria subir ao céu, Queria descer ao mar... E, no desvario seu, Na torre pôs-se a cantar... Estava perto do…
Palavras? Sim. De ar e perdidas no ar. Deixa que eu me perca entre palavras, deixa que eu seja o ar entre esses lábios, um sopro erramundo sem contornos, breve aroma que no ar se desvanece. Também a luz em si mesma se perde. Octavio Paz (Trad. Haroldo de…
Tanta lucidez dá vertigem.........................Van Gogh Faz perder pé na realidade. Perder pé dentro de si mesmo, sem contrapé, é uma voragem. Diante da folha branca e virgem, na mesa, e de todo ofertada, com medo de que ela o sorvesse, ei-lo, como louco,…
Peba na pimenta (João do Vale, José Batista e Adelino Rivera) Seu Malaquia preparou Cinco peba na pimenta Só do povo de Campinas Seu Malaquia convidou mais de quarenta Entre todos os convidados Pra comer peba foi também Maria Benta Benta foi logo dizendo Se…
ontem o canto da cotovia esta manhã canto de pardal respingo verão porta aberta boas vindas a quem custa chegar Manoel Ricardo de Lima
Fui pastor de cabras e de rios secos rezei pelas vacas que morreram de sede e os bezerros que ficaram órfãos e foram alimentados com o leite dos pássaros. Rezei pelas vértebras da paisagem pelo sangue das pedras pelas árvores e seus esqueletos de faraós,…
Morrerei em Paris com aguaceiros num dia de que já tenho a lembrança. Morrerei em Paris - daqui não saio - numa quinta-feira, como hoje, de outono. Quinta-feira será, pois hoje, quinta-feira, em que estes versos proso, dei os úmeros à pouca sorte, e nunca…
E como eu palmilhasse vagamente uma estrada de Minas, pedregosa, e no fecho da tarde um sino rouco se misturasse ao som de meus sapatos que era pausado e seco; e aves pairassem no céu de chumbo, e suas formas pretas lentamente se fossem diluindo na escuridão…
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura Essa intimidade perfeita com o silêncio Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo - Perdoai! eles não têm culpa de ter nascido... Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo Essa mão que tateia…
Víamos correr a nossos pés a água crescente. De um só golpe, elidia a montanha, expulsando-se dos flancos mater- nos. Não era uma torrente que seguia seu destino, mas uma fera inefável de quem nos tornávamos a substância e a palavra. Ela nos mantinha amorosos…
Agrada-me bem mais olhar estrelas do que assinar sentenças de morte. Agrada-me bem mais ouvir a voz das flores que, murmurando é ele, meneiam as corolas quando eu cruzo o jardim do que ver os escuros fuzis da guarda matarem quantos querem matar-me – por isso…
Súbito golpe: as grandes asas a bater Sobre a virgem que oscila, a coxa acariciada Por negros pés, a nuca, um bico a vem reter; O peito inane sobre o peito, ei-la apresada. Dedos incertos de terror, como empurrar Das coxas bambas o emplumado resplendor? Pode…
De tanto olhar as grades seu olhar esmoreceu e nada mais aferra. Como se houvesse só grades na terra: grades, apenas grades para olhar. A onda andante e flexível do seu vulto em círculos concêntricos decresce, dança de força em torno a um ponto oculto no qual…
o poeta lírico-barbado babuja no bar seus poemas boa tarde elegante bardo cuidado com o vento suas folhas íntimas não resistem ao menor sopro o coração sobre a mesa breve o garçom virá removê-lo um barco atraca no cais lugar de coração é no peito teimoso…
O Parto Meu corpo está completo, o homem - não o poeta. Mas eu quero e é necessário que me sofra e me solidifique em poeta, que destrua desde já o supérfluo e o ilusório e me alucine na essência de mim e das coisas, para depois, feliz e sofrido, mas…
Para que ela tivesse um pescoço tão fino Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos Para que a sua espinha fosse tão direita E ela usasse a cabeça tão erguida Com uma tão simples claridade sobre a…
OFÍCIO Ocupo o espaço que não é meu, mas do universo. Espaço do tamanho do meu corpo aqui, Enchendo inúteis quilos de um metro e setenta E dois centímetros, o humano de quebra. Vozes me dizem: eh, tu aí! E me mandam bater Serviços de excrementos em papéis…
Sergio Torretta é artista plástico. Iniciou na pintura aos 18 anos de idade, após tornar-se tetraplégico devido a um mergulho em piscina rasa. Começou a pintar como forma de terapia ocupacional descobrindo ali seu dom e talento. Há 8 anos vive exclusivamente…
Desses misteriosíssimos assentos, Onde a morte mirifica nos leva, Contemplamos o cárcere de treva, Onde vivem os lobos famulentos. Ei-los, em golpes rudes e violentos, Desde a hora tristíssima e primeva De traição e de dor de Adão e Eva, Sobre o mundo de…
Pois que reinaugurando essa criança pensam os homens reinaugurar a sua vida e começar novo caderno, fresco como o pão do dia; pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo, e parece que vão enfim poder explodir suas sementes: que desta vez não perca…
Q ARTVLVS ANORUM IIII SI (Quintus Artulus. Tinha quatro anos de idade, e puseram sobre ele esta pedra.) Alberto da Costa e Silva
As palavras envelheceram dentro dos homens separadas em ilhas, as palavras se mumificaram na boca dos legisladores; as palavras apodreceram nas promessas dos tiranos; as palavras nada significam nos discursos dos homens públicos. E o Verbo de Deus é uno mesmo…