Manuel
Falcão. O homem que passou dias dentro do mato atrás de boi não sente
frio de cama larga. Andei com o cavalo muitas léguas, além do Jabutitá,
pra lá do Ramal do Engenho, nas terras, já, do Rio das Curvas. Bebi
cachaça com novos amigos. Soube de causos e mentiras que se distrai o
tempo. O homem no cavalo, embora velho, tem o corpo hirto de dias. O
pensamento do homem do campo é quase como a chuva, límpida e certa. No
dia que quebrei o joelho numa embrenhada atrás de vaca, fiquei quase um
dia em cima de cavalo, sem ver viva-alma. Segurei as rédeas da dor.
Quase não sentia mais nada, quando cheguei em casa. Mas como era bom
ter a casa para chegar.
13/10/2006
A Dor e o Velho Vaqueiro
Conto · publicado originalmente em 13/10/2006
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