30/03/2007
As Cem Palavras do Não
Conto · publicado originalmente em 30/03/2007
O poeta Tarquínio andava pela praia com os pensamentos retos e os pés descalços. Era tarde de maio, quando os que aprenderam o segredo de São Luís fazem da arte em Madre Deus. O sol não dizia nada no seu amarelo queimado sobre as águas. O poeta pensava num poema para a tarde. Riscou no úmido da areia um soneto quadridimensional que jamais fora ousado. Quatro e três intercambiantes, girando em círculo, quase em cores, perfeito e imutável. Quando terminou sua frágil tarefa, lembrou que há um segredo nas casas e nas ruas que vibra mais que suas cem palavras de Não. E seguiu de mãos pensas, calando ao mar sua borracha de espumas.
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