O
jornalista Walter Rodrigues noticiou recentemente que estão de volta os
“matadores do Maranhão”, uma espécie de grupo de extermínio, formada
por ex-policiais e policiais de reserva e outros da ativa das várias
corporações. Como sempre ocorre por aqui, ninguém deu bola para isso.
Eu acho importante. Não quero ver a terra, onde crio meus filhos, se
transformar numa arena de bárbaros.
Não assusta essa pretensão divina, afinal, querer ser Deus e julgar
pessoas é uma empáfia que qualquer juiz substituto já possui. O que
espanta é a manutenção da velha hipocrisia: cobrir-se com o véu da
Justiça para depois estuprá-la. Com a aparente justificativa de fazer
justiça (com as próprias mãos), qualquer grupo de extermínio está, na
verdade, servindo a interesses venais. Vendendo a morte. E ameaçando os
candidatos que tenham pretensões honestas. Uma máfia de extermínio,
seja protegida por Secretário de Segurança ou não, é uma doença que não
se pode permitir, pois quebra todas as regras democráticas. Um prefeito
eleito democraticamente que tenha vontade de ajudar o povo pode, sob
ameaça, pagar propina ao “grupo” para não ser morto. Salvo engano, essa
é uma prática comum neste país.
Será que o grupo de extermínio considera “irrecuperáveis” (também) os
ladrões do dinheiro público, que ficam no Poder por séculos a custa de
ameaças, veladas ou não? Aqueles que ensinam os filhos os caminhos das
pedras do crime e nunca vão à Pedrinhas, mas estão sempre nas colunas
sociais, (porque “descobriram que tudo é mentira, mesmo”, como me falou
um maluco, outro dia!), esses não aparecem na lista dos
“irrecuperáveis”. Será que conseguem entender que o dinheiro subtraído
de famílias pobres, mas honestas e trabalhadoras, pode ser determinante
para que os filhos dessas famílias se tornem “pequenos ladrões”?
Eu tive um conhecido em Arari, menino pobre e sonhador, que era
obrigado a “servir” os grandes da cidade: vereadores, prefeitos,
juízes, comerciantes, etc...Eles mandavam buscá-lo e, depois, mandavam
devolvê-lo. Eu não sei se nesse “depois” ele se divertia, ganhava um
quilo de carne ou um chinelo novo. Sei que voltava humilhado, parece
que não pegou aquela doença de achar que era alguém importante, só
porque freqüentava as grandes rodas sociais.
Será que os “matadores do Maranhão” possuem filhos que “servem” os
ricos e por isso são revoltados ou eles mesmos foram bombeiros das
mulheres ricas? De qualquer forma, tem algo de podre no reino do
Mar...anhão.
Talvez porque falte comando no governo estadual. O atual governador não
disse a que veio. Permitiu que parentes ( que talvez tenham se educado
no crime) arregalassem os olhos para as finanças do Estado. Além disso,
não tem apresentado propostas. Vejam que coisa terrível: o Maranhão não esta sendo pensado! O
governo não está planejando – no bom sentido. Será que o governador
está pensando como alguns prefeitos do interior, que, quando são
eleitos, chamam o mandato de “aposentadoria”?
Eu ainda acredito no selo de “honestidade” de Jackson. Queria que ele o
preservasse, afinal, foi ele que deu sentido à minha geração, quando os
universitários pobres só víamos o muro intransponível da família
Sarney. Talvez, por isso, ouse cobrá-lo dessa forma. Lembro que a
proposta educacional do PDT era a melhor de todas, desde Darcy ( e, se
não engano, continua com o Cristovam), mas o governador não levou
Moacyr para a Secretaria de Educação.
Agora, todo mundo quer mandar no Estado, até matadores de aluguel!
Coisa primitiva, dos tempos dos coronéis, do tempo de ACM e do
entendimento equivocado de João Alberto. Quem sabe, esses sujeitos não
sejam apenas “cabras machos”, sem nada pra fazer. Cabras machos do tipo
que precisa de muita cachaça pra ficar de quatro. E, por isso mesmo,
não consigam entender a justiça feminina, sempre demorada e sutil.
28/06/2007
Os Matadores do Maranhão
10:40 — Escrito em Crônica | Comentários registrados no original: 0 | Tags: cabra macho matadores grupo de extermínio bode velho