Livro I
O que as messes alegre; o astro que mais convide
a revolver o solo, e a armar no olmeiro a vide;
criação de armento e fato; e quanto de ciência
o parco enxame pede, e ensina a experiência
Mecenas, vou cantar.
Fanais do etéreo espaço,
que pelos céus guiais o ano a passo e passo!
Baco, alma Ceres, vós por quem a terra antiga
mudou caónia glande em substancial espiga,
e aos copos de Aqueloo uniu do mosto o achado!
Faunos bons, por quem sempre o agreste é despachado!
correi, Faunos! Correi, ó Dríades donzelas!
descanto os vossos dons.
Árbitro das procelas,
que ao truz do grão tridente o incógnito cavalo
romper do chão fizeste aos rinchos, e a escarvá-lo
Nepturno!
Ó morador dos nemorais encerrros,
para quem tosa em Ceia armento de bezerros
trezentos cor de neve as sarças como relva!
Os bosques do liceu deixando, e a pátria selva,
tu, de ovelhas pastor, se os Menalos amenos
te importam, Pâ Tegeo, assiste-me não menos!
Minerva, ó mãe da oliva!
Virgílio em Geórgicas, traduzido por Antonio Feliciano de Castilho e Manoel Odorico Mendes
