Oh, a loucura da grande Cidade,
quando, à noite, junto ao muro negro,
aleijadas árvores se erguem boquiabertas,
e, por uma máscara de prata,
o Espírito do Mal se ri;
a luz, com flagelo magnético,
a pétrea noite expulsa.
oh, o submerso dobrar dos sinos pelo anoitecer.
prostituta, que em convulsões de gelo, pares uma criança morta.
A ira de Deus chicoteia a fronte do homem possesso,
purpúrea pestilência, fome, verdes olhos
quebra.
oh, o horrendo riso do ouro.
Mas,
quieta na caverna escura,
uma humanidade mais silente sangra,
forja no duro metal a redentora cabeça.

George Trakl
08/09/2007
Aos Emudecidos
PoetasAfins · publicado originalmente em 08/09/2007
21:48 — Escrito em PoetasAfins | Comentários registrados no original: 0 | Tags: George Trakl os emudecidos