27/10/2007

Júlio Lancelotti, os Padres e Leonardo di Caprio

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Vou aproveitar o caso do Pe. Lancelloti para descarregar minha metralhadora cheira de mágoa. Isto é uma terapia e, salvo o povo da Inteligência, quase ninguém vem aqui.

Já falei em outro lugar que mais repugnante que o corrupto de direita é o corrupto de esquerda. O “democrata” acredita em Nietzsche (roubar é digno do super-homem) e lê as auto-ajudas que justificam o sucesso sem escrúpulos – com esses argumentos se justifica o crime como valor da vitória pessoal. As colunas sociais estão cheias dos “ladrões medalhados”, como os chamava o velho Chico.

Por outro lado, o “socialista” elegeu uma moral cristã (como o é toda ideologia de esquerda) e, dessa forma, presume-se não defenderia a corrupção como forma de sucesso pessoal. Mas a bandeira da moral cristã muitas vezes é usada como escudo exatamente para a corrupção. E é isso que torna tão repulsivo o “socialista” corrupto.

TODO O MUNDO SABE que o primeiro tentará eleger-se e a seus candidatos para repartir as licitações entre os amigos.

Mas, e o segundo? – que nos chega defendendo alguma causa social, e ao final está servindo ao mesmo sistema do outro?

O Pe. Júlio Lancelotti situa-se no segundo caso, salvo melhor juízo e processo por difamação. Aliás, não o estou considerando um caso isolado: ele é o modelo, mas a crítica é para todas as instituições de esquerda e todos os membros do Clero, que elegeram, hipocritamente, as causas sociais como forma de chegar ao século 21.

TODO O MUNDO SABE que os padres não casam, porque foram “educados” para conhecer o segredo das mulheres e não precisar delas. É por isso que eles precisam dos rapazes – as mulheres seriam uma etapa desnecessária. A questão é que, ao se ocultar em alguma instituição religiosa, eles estão elegendo a hipocrisia e negando as lições do Cristo.

Essa educação – milenar – que, por sua longevidade se pressupõe verdadeira, tem levado ao sofrimento muitos religiosos que continuam precisando das afeições femininas e sofrem com as práticas ocultas. Frei Leonardo Boff escapou desse ardil (excomungado), mas foi obrigado a ficar calado, senão poderia ser “acidentado”. Hoje, o máximo que ele faz é chamar a Igreja Católica de covil de hipócritas...

TODO O MUNDO SABE que muitos padres são “casados” (os rapazes estão em família) e preferem alimentar a hipocrisia a ficar sem o “feminino”. Conheço amigos que foram “usados” quando meninos e adolescentes e, pela tenra idade, “não compreenderam” e viraram gays, mas continuavam a desejar uma família, que agora lhes é negada pela própria sociedade, alimentada pelos discursos religiosos dos padres “educados”...

A questão que se coloca é: se TODO O MUNDO SABE que os padres gostam de rapazes, porque padre Júlio Lancelotti se deixou chantagear?

Porque a sociedade só consegue respirar na hipocrisia? Leonardo de Caprio não gosta de mulheres, mas a revista Caras gostava imensamente de mostrar Gisele Bündchen como sua “noiva”. O que a hipocrisia defende: a vergonha das mulheres, a vergonha dos homens? As mulheres por acaso se tornaram inúteis porque ensinaram os maridos a ficar de quatro?

Que sociedade mais estúpida essa, dirigida pelos sentidos mais grosseiros!

Para o velho padre Júlio Lancelotti – eu sei – não é fácil a passagem da hipocrisia à verdade. Como não será fácil aos demais. Os novos padres, porém, eu espero, serão mais honestos; serão educados na fraternidade sem a vergonha; terão o feminino, se o desejarem e alimentarão a família do mundo com o Amor do Ungido e não com a hipocrisia do Fausto.

 

 

 

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18:05 — Escrito em Crônica | Comentários registrados no original: 4 | Tags: Gisele Bündchen Leonardo Di Caprio padre Júlio Lancelotti meninos gay igreja católica