Ode descontínua e Remota para Flauta e Oboé, de Ariana para Dioníosio, canção III
IIIA minha Casa é gurdiã do meu corpoE protetora de todas minhas ardências.E transmuta em palavraPaixão e veemênciaE minha boca se faz fonte de prataAinda que eu grite à Casa que só existoPara sorver a água da tua boca.A minha Casa, Dionísio, te lamentaE manda que eu te pergunte assim de frente:À uma mulher que canta ensolaradaE que é sonora, múltipla, argonautaPor que recusas amor e permanência?
Hilda Hilst
(1930-2004)
