o odor frutado de minha infancia
cheiro de manga rosa que os japis comiam doce e nos
para nao negar o humano comiamos verde com tempero seco
o tinca grita ferreo ao meu bone azul araras festejam o dia no ceu cinzento senhoras varrem o resto da dor
que o vento noturno espalhou pelas calcadas
o fogo apagou
a pomba de nossa senhora desce do galho ao ninho no chao
os bem te vis ja nao me chamam pelo nome ei, Jorge
bem te vi bem bem te vi
ha corvos na ponte do Ubatuba
a marreca anuncia a chuva ao anoitecer a raga mortalha sempres abria uma cova
as aves que ouvi
um cavalinho arrasta a corda livre no asfalto bosta de boi molhada de sereno complemento de auroras
ah! como era vivo ir ver as mangueiras velhas do peri mirim gordas maes de leite
sacio para japis, morcegos, pipiras e periquitinhos tagarelas muitas vozes
de todos os meus afetos que passaram os pretos santo e sararah
a bruxa magah
o menino que se afogou debaixo da ponte os ricos que viraram ruas
o menino boy sorridente seu Sergio ressoa um curio
minha mae, uma maquina Singer o rio que barulha seu silencio perene
mas nada subsiste
o tempo eh um dragao medonho muitas vozes
ouvi-las com nariz e saudade