onde esta o poema de ontem?
o tempo, bipetalo, inseto metafisico, morre a cada segundo
por isso, talvez, pulse infinito
o cao uiva ao vento que ouviu sozinho; estamos vendo vento a todo instante; ate o momento que, cegos ao mundo, veremos claramente
ele pulsa e nao o ouves? (ha muito barulho no mundo)
a fibra da fome fere o aco no labor da hora
so o silencio te pode abrir os sons inaudiveis. nao o ouves? se paciente
o tempo nao erra: uma morte por uma vida; uma vida por uma morte
a impermanencia (mimosa, pudica), nao a toques, apenas sorva
ambrosia dos despertos
o tempo morre a cada segundo para viver eternamente: morra tu tambem, ao gozo dessa imensidade