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o poeta lírico-barbado
babuja
no bar
seus poemas
boa tarde
elegante bardo
cuidado com o vento
suas folhas íntimas
não resistem ao menor sopro
o coração sobre a mesa
breve o garçom virá removê-lo
um barco atraca no cais
lugar de coração é no peito
teimoso bardo
curió pardo exposto aos turistas
a mulher burguesa
batom e ruge
ergue o braço
garça o garçom passa
o poeta velho brada:
liturgia do inútil
tudo desaba
asa do vento navalhada
na tarde provinciana
e cinza
Roberto Kenard
15/08/2006
Câmera Indiscreta
PoetasAfins · publicado originalmente em 15/08/2006
08:50 — Escrito em PoetasAfins | Comentários registrados no original: 0 | Tags: Roberto Kenard Kenar Bardo