Rosa
era uma prostituta rancorosa. Sofreu na infância de infanticídio,
vitimada por um vingativo, com dores internas de aberturas intestinas e
fraturas nas cores da infância. Segue que odiou. Tornou-se prostituta
para excretar sua vingança. Causa e efeito. Aos vinte, era veneranda:
ricos lhe mandavam os filhos, ela os educava na verdade do nervo.
Meninos que inventariam a piedade e o fausto. Rosa pressurosa. Aos
trinta, erva venérea. Morreu putrefata. Causa e efeito. Dizem que
reencarnaria em uma cadela prenha e parda, perdida de dores e de légua:
para educar-se na verdade materna.
Até aprender que a dor não é necessária.
24/08/2006
Rosa Veneranda
Conto · publicado originalmente em 24/08/2006
11:30 — Escrito em Conto | Comentários registrados no original: 0