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De tanto olhar as grades seu olhar
esmoreceu e nada mais aferra.
Como se houvesse só grades na terra:
grades, apenas grades para olhar.
A onda andante e flexível do seu vulto
em círculos concêntricos decresce,
dança de força em torno a um ponto oculto
no qual um grande impulso se arrefece.
De vez em quando o fecho da pupila
se abre em silêncio. Uma imagem, então,
na tensa paz dos músculos se instila
para morrer no coração.
Rainer Maria Rilke
(Tradução de Augusto de Campos)
23/08/2006
A Pantera
PoetasAfins · publicado originalmente em 23/08/2006
10:15 — Escrito em PoetasAfins | Comentários registrados no original: 0 | Tags: Reiner M Rilke Rilke Pantera