14/09/2006

Os Primeiros Instantes

PoetasAfins · publicado originalmente em 14/09/2006

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Víamos correr a nossos pés a água crescente. De um só
golpe, elidia a montanha, expulsando-se dos flancos mater-
nos. Não era uma torrente que seguia seu destino, mas uma
fera inefável de quem nos tornávamos a substância e a
palavra. Ela nos mantinha amorosos no arco poderoso de sua
imaginação. Mas que interferência nos podia ter coagido? A
modicidade diária fugira, o sangue expelido reencontrava seu calor.
Adotados pelo aberto, polidos até o invisível, éramos
uma vitória que jamais teria fim.

René Char


Fúria e Mistério - 1962
Nu perdido e outros poemas. Iluminuras, 1983.
Trad. Augusto Contador Borges. p. 49.


http://www.apropucsp.org.br/revista/rcc01_r12.htm

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