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pignatari pigarreando
quem inventou o fausto
nossa senhora da consolação
o maldito fausto da consolação
o menino traído
o homem enganado
o velho pignarrento
nas primícias das perdizes
aves meninas jamais abatidas
tempo perdido
o homem rancoroso e sua letra torta
destrava a moura
na esperança do eterno feminino
nossa senhora da consolação
o maldito fausto da consolação
***
na sociedade do fausto
mulheres abandonadas
como vacas gastas
na sociedade do fausto
homens corruptos
cobram faturas sujas
na sociedade do fausto
silenciosos acordam segredos
como divisas da dívida
na sociedade do fausto
envergonhados vergastam misérias
que grassam na desgraça
***
há os anais da teoria
a academia
a teoria dos anais
o homem velho cheio de certezas-núvens
o vento e o sal
wittgensteins vitimas da cólera
o pudendum
nietzsches endurecidos
a sífilis
marido afoga a mulher e a filha
pudendum
as noites brancas
o que não pode ser dito
o clone
a esfera de netuno
a traição e a menina tenra
o mal
o padre enjaulado
e sua teoria da libertação
galinhas ou
incubadoras mecânicas
o poeta famélico
basta dizer que é louco
que não sabe
a voz de deus no coração
benedictus
o mais bento dos dezesseis
deixo-te nesta hora e te asseguro
o nosso afastamento passageiro
é um sinal de encontro no futura
***
quantos perderam a vida
o aleijado
o enjeitado
a gorda
a frouxa
o idiota
o padre ingênuo
o poeta
a menina morta
para eles
nossa senhora da consolação
e a moral dos escravos
quantos ganharam a vida
o banqueiro carnívoro
o chefe do orçamento público
o juiz corrupto
o vendedor de agrotóxico
o político integrado
(...)
o assassino obediente e covarde
para eles
o maldito fausto da consolação
e a moral dos senhores
15/09/2006
Gorjeio ou Regurgito
PoesiasEletivas · publicado originalmente em 15/09/2006
13:30 — Escrito em PoesiasEletivas | Comentários registrados no original: 0