26/10/2006

As três Marias infelizes

Tese · publicado em 26/10/2006

Havia numa pequena cidade três marias, em tudo distintas, que não se conheciam, embora sofressem a mesma dor.

A primeira Maria não conheceu o pai. Teve que encontrar a paternidade nos vizinhos e amigos e parentes da mãe. Sua dor e sua queixa viviam exatamente nessa “ausência de paternidade”, ou seja, ausência do pai único, com a graça da família cristã, suas alegrias abertas e suas alegrias fechadas. A menina doía-lhe a íris aberta das amigas felizes. Sofria e lamentava o destino.

A segunda Maria também não conheceu o pai. Teve que encontrar a paternidade no avô, pois também a mãe a deixou sozinha. Sua dor e sua queixa viviam exatamente nessa “ausência de paternidade”, ou seja, ausência do pai jovem, com o vigor necessário à maternidade. A menina desejou o viço das amigas, com tanta intensidade, que abandonou os homens. Sofria e lamentava o destino.

A terceira Maria, porém, conheceu o pai. Teve a paternidade, a íris da alegria e o vigor preciso. Porém, o pai, por um motivo próximo da covardia, abandou a casa e a menina, quando ela tinha apenas 10 anos. Sua dor e sua queixa viviam exatamente nessa “ausência de paternidade”, ou seja, ausência do pai constante, ensinando a dor da falta e a magia da aceitação. A menina esperou o abandono em todos os encontros. Sofria e lamentava o destino.

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