“O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria” William Black
O extremos são para os que sabem alcançá-los. Há sempre um
embrutecimento e, por conseguinte, um empobrecimento das paixões no fim
da linha. Um hacker é, ao final das contas, um idealista: quer um mundo
menos injusto; um terrorista é, por outra ponta, um desesperado: quer
impor, à pólvora, o mundo justo. É preciso tomar cuidado para não
chegar na beira do abismo. Um sujeito endurecido pelo ódio, mesmo que o
justifique como “ódio de classe”, não passa de um tolo, tão digno de
piedade, quanto o outro, o assassino do Estado.
A sociedade é, muita vez, injusta, governada por ignorantes, incapazes
de um pequeno gesto de humanidade; endurecidos no egoísmo; homens
fracos que precisam de alguma muleta simbólica, seja feita com o marfim
da vaidade, seja feita com o aço do poder. Compreendem,
equivocadamente, o conceito nietzschiano de Potência, como forma de
justificar a pilhagem do dinheiro público e a hipocrisia das
instituições da República. Tudo isso pode ser verdade, segundo um certo
ponto de vista e dependendo do que se comeu no almoço. Entretanto,
muito raramente, deixaremos de incluir entre esses os nossos parentes e
os nossos amigos mais íntimos.
Hoje, só uns poucos “evangélicos” e alguns vendedores da Santa Efigênia
tentam impor seus pontos de vista. A humanidade caminha lentamente e
continuará assim. Devemos, nós mesmos, estar preparados para o novo.
Aquela história de dar sete voltas ao redor da nossa casa, antes de
tentar mudar o mundo, é uma verdade útil. A alternativa é, portanto,
fazer amigos: aumentar a rede da “preservação” e diminuir a turma dos
egoístas. Um leão por dia.
Um menino que acredita em Marx deve saber que sempre há a possibilidade
de algum demiurgo, nas esferas federais, estar manipulando os cordões.
IstoÉ. Muitos jovens, pela ingenuidade própria da idade, às vezes,
acabam fazendo o papel de cobaias dos “dirigentes” do “partido”. Na
militância de esquerda, os suicidas do Islã são “ideologizados” com as
vinte virgem do paraíso. Não dá para entender como um cara que estourou
os culhões pode pensar em se dar bem com vinte meninas virgens...
Por outro lado, nenhum menino é mais bonito que os meninos do PSOL. Não
pela beleza da ingenuidade, que não é necessária em política, mas pela
capacidade de reagir com inteligência diante de uma sociedade injusta.
Não se pode encontrar beleza nos musculosos amantes dos democratas, que
são apenas fungíveis, como a sociedade que os pariu.
Todos os melhores políticos da República foram educados por Marx. Se o
governador José Serra se mantiver truculento como o antecessor, estará
negando sua formação; terá esquecido o jovem ardente dos anos 60 e a
pureza do ideal.
Revolutas: fraternidade e paz.
11/06/2007
Revolutas
10:50 — Escrito em Crônica | Comentários registrados no original: 0 | Tags: Revolutas Marx José Serra Psol casamento do céu e do inferno