11/06/2007

Revolutas

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“O caminho do excesso leva ao palácio da sabedoria” William Black

O extremos são para os que sabem alcançá-los. Há sempre um embrutecimento e, por conseguinte, um empobrecimento das paixões no fim da linha. Um hacker é, ao final das contas, um idealista: quer um mundo menos injusto; um terrorista é, por outra ponta, um desesperado: quer impor, à pólvora, o mundo justo. É preciso tomar cuidado para não chegar na beira do abismo. Um sujeito endurecido pelo ódio, mesmo que o justifique como “ódio de classe”, não passa de um tolo, tão digno de piedade, quanto o outro, o assassino do Estado.
A sociedade é, muita vez, injusta, governada por ignorantes, incapazes de um pequeno gesto de humanidade; endurecidos no egoísmo; homens fracos que precisam de alguma muleta simbólica, seja feita com o marfim da vaidade, seja feita com o aço do poder. Compreendem, equivocadamente, o conceito nietzschiano de Potência, como forma de justificar a pilhagem do dinheiro público e a hipocrisia das instituições da República. Tudo isso pode ser verdade, segundo um certo ponto de vista e dependendo do que se comeu no almoço. Entretanto, muito raramente, deixaremos de incluir entre esses os nossos parentes e os nossos amigos mais íntimos.
Hoje, só uns poucos “evangélicos” e alguns vendedores da Santa Efigênia tentam impor seus pontos de vista. A humanidade caminha lentamente e continuará assim. Devemos, nós mesmos, estar preparados para o novo. Aquela história de dar sete voltas ao redor da nossa casa, antes de tentar mudar o mundo, é uma verdade útil. A alternativa é, portanto, fazer amigos: aumentar a rede da “preservação” e diminuir a turma dos egoístas. Um leão por dia.
Um menino que acredita em Marx deve saber que sempre há a possibilidade de algum demiurgo, nas esferas federais, estar manipulando os cordões. IstoÉ. Muitos jovens, pela ingenuidade própria da idade, às vezes, acabam fazendo o papel de cobaias dos “dirigentes” do “partido”. Na militância de esquerda, os suicidas do Islã são “ideologizados” com as vinte virgem do paraíso. Não dá para entender como um cara que estourou os culhões pode pensar em se dar bem com vinte meninas virgens...
Por outro lado, nenhum menino é mais bonito que os meninos do PSOL. Não pela beleza da ingenuidade, que não é necessária em política, mas pela capacidade de reagir com inteligência diante de uma sociedade injusta. Não se pode encontrar beleza nos musculosos amantes dos democratas, que são apenas fungíveis, como a sociedade que os pariu.
Todos os melhores políticos da República foram educados por Marx. Se o governador José Serra se mantiver truculento como o antecessor, estará negando sua formação; terá esquecido o jovem ardente dos anos 60 e a pureza do ideal.
Revolutas: fraternidade e paz.

10:50 — Escrito em Crônica | Comentários registrados no original: 0 | Tags: Revolutas Marx José Serra Psol casamento do céu e do inferno