
Canto Alcolea de Calatrava
onde, porém, não há progresso.
A água nos vem, toda, das nuvens
e do suor do camponês.
Todo o alimento vem da terra
e todo o pão é terra convertida.
Todas as vacas são
terra posta de pé mugindo leite
com lenha sobre o dorso, cada dia,
todos os asnos são terra que caminha
todos os homens são terra que Deus
soprou de noite no mistério
dos partos, as savanas e o ritos.
Canto Alcolea de Calatrava
que cheira a estábulo pelas ruas,
que cheira a ovelha pelas noites
e cheira a trigo se amanhece.
Canto suas noites curtas
e seu regato que poucas vezes anda
e sua ermida cravada entre as pedras
com uma cruz no topo.
O sol golpeia com sua luz o campo
e põe na pele a cor de coisa que arde,
faz milagres deslumbrando o homem
quando tudo parece já estar perto.
AS oliveiras toco com meus versos,
vou andando por dentro do verão
e pelas ruas com a cal mais branca
nas paredes das casas sempre velhas.
Aqui pouco sabemos nós da vida
e mais sabemos todos sobre a morte,
mas uma afã de novo se levanta
com o sol e assim mesmo quando neva.
Canto Alcolea de Calatrava
que vive, entretanto, sem progresso,
e onde um bezerro que fugiu do estábulo
passeia pela rua entre os meninos.
Angel Crespo em Poemas Necessários de 1979
( lindo isto, né!)
14/07/2007
Ode Local
PoetasAfins · publicado originalmente em 14/07/2007
09:00 — Escrito em PoetasAfins | Comentários registrados no original: 0 | Tags: Angel Crespo Alcolea de Calatrava desprogresso