01/08/2007

Eneida

PoetasAfins · publicado originalmente em 01/08/2007

Livro I
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Eu, que entoava na delgada avena
Rudes canções, e egresso das florestas,
Fiz que as vizinhas lavras contentassem
A avidez do colono, empresa grata
Aos aldeãos; de Marte ora as horríveis
Armas canto, e o varão que, lá de Tróia
Prófugo, à Itália e de Lavino às praias
Trouxe-o primeiro o fado. Em mar e em terra
Muito o agitou violenta mão suprema,
E o lembrando da seva Juno;
Muito em guerras sofreu, na Ausónia quando
Funda a cidade e lhe introduz os deuses :
Donde a nação latina e albanos padres,
E os muros vêm da sublimada Roma.
Musa, as causas me aponta, o ofenso nume,
Ou por que mágoa a soberana deia
Compeliu na piedade o herói famoso
A lances tais passar, volver tais casos.
Pois tantas, iras em celestes peitos!
Colónia tíria no ultramar, Cartago,
Do ítalo Tibre contraposta às fozes,
Houve, possante empório, antigo, aspérrimo
N'arte da guerra; ao qual, se conta, Juno
Até pospôs a predilecta Samos :
Lá coche, armas lá teve; e, anua o fado,
No orbe entroná-la então já traça e tenta.

Virgílio em Eneida, traduzido por Antonio Feliciano de Castilho e Manoel Odorico Mendes

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