03/08/2007
Fala de Teseu
PoetasAfins · publicado originalmente em 03/08/2007
Em teu triste corpo não mais encontro
Aquela noturna glória de quando nos labirintos
De Minos erguias-me a vida como flama
Dançando sobre o áspero campo dos mortos.
Tu não eras quem eu queria. Enganei-me.
E hoje te abandono, feito alguém deixa uma sem razão,
Hoje, desunidos, e nenhum laço unir nos poderia.
Os teus fios são frágeis para guiar-me
Na cruel exigência que o tempo trouxe.
Um vento novo adeja nas velas da minha nave,
Os delfins de dorso dourado ferem as águas
De um mar tão límpido e azul,
Tão mais longe e meu, pobre amor
Trêmulo entre as feras, frio e melancólico
Como aquelas angras que vemos aquém da esteira de escuma
Ao cair a tarde sobre o mundo aflito e a erma indagação.
José Paulo Moreira da Fonseca em A tempestade e outros poemas de 1956
23:25 — Escrito em PoetasAfins | Comentários registrados no original: 0 | Tags: José Paulo Moreira Fala de Teseu A tempestade
(Ariadne on Naxos , John Vanderlyn)