11/08/2007

Martins

PoesiasEletivas · publicado originalmente em 11/08/2007

havia em uma cidade
com ardor de floresta
certo poeta tímido e pobre
roupa para o dia
inútil
regime de fome zen
língua de feira
rural
certo afeto timorato
por saber terremotos
e uma dor diurna
coisa de ônibus e ruas
e essa coisa surda
que é ser de companhia

maxmartins.jpg
nunca o vi cair
mas caminhar suave
como quem brisa
habitava um sítio
com desejo de mar
aonde as ninfas iam
em risos de sal e espuma
rindo o riso do tempo perdido
a beleza breve do medo

habitava uma margem oposta
onde viçam os valentes
e respirava entre meninos
panteros
como seus brincos de pirata

por isso era livre
mesmo quando dormia
as suas tarefas diárias
de funcionário precário

só
havia na cidade
um apenas poeta martins
o homem pobre da margem
sem pretensões acadêmicas
a quem apenas cabia
ter onde ir.

22:00 — Escrito em PoesiasEletivas | Comentários registrados no original: 0 | Tags: Max Martins Belém