19/08/2007

058

PoetasAfins · publicado originalmente em 19/08/2007

A Morte, que da vida o nó desata,
os nós, que dá o Amor, cortar quisera
na Ausência, que é contr' ele espada fera,
e co Tempo, que tudo desbarata.

Duas contrárias, que üa a outra mata,
a Morte contra o Amor ajunta e altera:
üa é Razão contra a Fortuna austera,
outra, contra a Razão, Fortuna ingrata.

Mas mostre a sua imperial potência
a Morte em apartar dum corpo a alma,
duas num corpo o Amor ajunte e una;

porque assi leve triunfante a palma,
Amor da Morte, apesar da Ausência,
do Tempo, da Razão e da Fortuna.

Luís de Camões

36d1c6d6b5978eb56ca965be5f413ea9.jpgJovem defendendo-se de Eros - pintura de Bouguereau (1825–1905)

21:50 — Escrito em PoetasAfins | Comentários registrados no original: 0 | Tags: Camões a vitória do Amor