Tome a palavra suja,
“cabeluda” e com c'aspas,
essa que tem açúcar
no sangue, e sobre taxa.
Tome a que, sendo escrava
da tribo e do tributo,
mostra o corpo as marcas
de lacre, logro e lucro.
Pode ser a de baixo
calão, a manteúda,
como opção, como cágado,
essa que se disputa
nas feiras, que é falada
que é falida e que gruda,
tome a palavra chata,
tome a palavra chula
e bote tudo às claras
e gema e até misture
coisas de corpo e alma,
de vida e de cultura
e leve ao forno e passe
a fôrma na gordura,
depois coma e disfarce
os bigodes da gula.
Gilberto de Mendonça Teles em Poemas Reunidos de 1978
30/08/2007
Receita
PoetasAfins · publicado originalmente em 30/08/2007
07:45 — Escrito em PoetasAfins | Comentários registrados no original: 1 | Tags: Gilberto de Mendonça Teles Palavras Gula
Gula_GustaveDoré