Livro de Areia
A coisa mais espúria e mais asquerosa da sociedade industrial (ou pós-industrial) é manutenção da comercialização de livros.
Espúria porque nenhuma justiça pode prosperar ao negar conhecimento numa época que precisa manter e desenvolver os avanços tecnológicos alcançados; asquerosa porque repugna a seletividade e a estupidez dos dirigentes egoístas que teimam em reproduzir o sistema dentro de uma casta de letrados.
A idéia econômica pela qual se argumenta que a produção de livros ainda é necessária não passa de ardil do mercado, que já devia ter substituído essa indústria por outras formas de produção.
Os livros deveriam ser públicos e gratuitos (todos, didáticos ou não).
Já temos tecnologias suficiente para produzir, a baixos custos, os leitores de livros virtuais e todos os livros já deveriam estar convertidos em e-books.
Salvo a advertência de Borges ,
“O verão declinava e compreendi que o livro era monstruoso. De nada me serviu considerar que não menos monstruoso era eu, que o percebia com olhos e o apalpava com dez dedos com unhas. Senti que era um objeto de pesadelo, uma coisa obscena que infamava e corrompia a realidade.
Pensei no fogo, mas temi que a combustão de um livro infinito fosse igualmente infinita e sufocasse o planeta de fumaça.”

o projeto do livro de areia é muito mais útil à humanidade que todos os lucros das editoras.
Essa reflexão, extemporânea, é, paradoxalmente, oportuna, porque está sendo realizada, aqui em São Luís, a Primeira Feira de Livros da cidade.
