07/11/2007

Poema(s) da Cabra

Poemas da Cabra · publicado originalmente em 07/11/2007

   
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O núcleo da cabra é visível

debaixo do homem do nordeste.

Da cabra lhe vem o escarpado

e o estofo nervudo que o enche.

 

 

Se advinha o núcleo da cabra

no jeito de existir, Cardozo,

que reponta sob seu gesto

como esqueleto sob o cropo.

 

 

E é outra ossatura mais forte

que o esqueleto comum, de todos;

debaixo do próprio esqueleto,

no fundo centro de seus ossos.

 

 

A cabra deu ao nordestino

esse esqueleto mais de dentro:

o aço do osso, que resiste

quando o osso perde seu cimento.

 

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                        *

 

 

O mediterrâneo é mar clássico,

com águas de mármore azul.

Em nada me lembra das águas

sem marca do rio Pajeú.

 

 

As ondas do Mediterrâneo

estão no mármore traçadas.

Nos rios do Sertão, se existe,

a água corre despenteada.

 

 

As margens do Mediterrâneo

parecem deserto balcão.

Deserto, mas de terras nobres

não da piçarra do Sertão.

 

 

Mas não minto o Mediterrâneo

nem sua atmosfera maior

descrevendo-lhe as cabras negras

em termos das do Moxotó.

 

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07:30 — Escrito em Poemas da Cabra | Comentários registrados no original: 0 | Tags: João Cabral Poemas da Cabra Cabra