25/05/2022

Seria honesto e eticamente recomendável retirar o conceito de deus de um sofredor, que encontra leniência e consolo na reparação do sofrimento em uma possível justiça divina?

Crônica · publicado em 25/05/2022

(prolegômenos de uma filosofia engraçada)

Eu sou um crítico contumaz do conceito de deus, seja ele o Javé dos judeus, que foi apropriado pelos católicos, seja o Alá dos islamitas, seja os deuses da Índia, sejam os deuses do Candomblé.

Há uma razão bem simples para essa crítica: é tudo mentira, enganação, controle mental. E eu não gosto de quem faz o povo de besta e o torna uma cobaia de escravos. Todos os líderes religiosos, a menos que tenham algum nível de retardo intelectual, sabem que o conceito de deus é um engodo.

Alguns se escudam no conceito de "divino", para fazer prosperar a necessidade de deuses; outros se escudam na evidência da dor e da doença também como evidência da necessidade de uma fé divina. Acredito que nenhum desses dois argumentos deve prosperar: primeiro, o divino é dispensável, porque ilusório e confuso, produz doença e fanatismo; segundo, os doentes e frágeis deveriam fugir da muleta do divino e se voltar para o seu próprio poder interior. É óbvio que isso é uma atitude praticamente impossível: desde milênios temos a infelicidade de cultivar deuses e isso praticamente está dentro do nosso DNA (nesse caso, ou começamos a remover esse DNA, ou tentamos criar uma estrutura mais sofisticada para esse conceito - algo melhor como o já excelente conceito do Tao ou o conceito de "deus derradeiro", de Heidegger, por exemplo).

Mas deixa eu me deter mais demoradamente sobre esses dois pontos, mesmo porque ao escrever eu estou refletindo sobre: 1 - o conceito do "divino" e 2 - a existência dos fracos e doentes.

Melhor começar pelo sofrimento humano: SERIA HONESTO E ETICAMENTE RECOMENDÁVEL RETIRAR O CONCEITO DE DEUS DE UM SOFREDOR, QUE ENCONTRA LENIÊNCIA E CONSOLO NA REPARAÇÃO DO SOFRIMENTO EM UMA POSSÍVEL JUSTIÇA DIVINA?

Heidegger entende que o ser-para-a-morte que somos está no limite da dialética entre a finitude e o divino. Eu sei que ele está mentindo, simplesmente porque os conceitos complexos que ele inventou, embora muito poéticos, são apenas uma embalagem para uma coisa mais simples (que poderiam ser facilmente traduzidos em linguagem popular, sem o fio do pedantismo intelectual de gente de pau pequeno - como eu, aliás - rsrs). Vou só dar um exemplo das mentiras de Heidegger: ele reconceitualiza a Fé, ao afirmar que o Sagrado se encontra no "ambiente silencioso".

A mesma mentira e o mesmo artifício que fez Freud ao inventar seus conceitos psicanalíPTicos...

Eu sou presunçoso demais para tocar nesse assunto (mesmo sob o risco de ridículo, que já me acostumei...) e mais ainda por contestar, fora da academia, como o fez o Olavão,(dois monstros sagrados do pensamento ocidental, eu e ele). Mas alguém deve ter a coragem de dizer que eles estão mentindo.

Mas eu não quero saber de Heidegger, como seu Dasein, nem de Freud, com seu inconsciente. TUDO METAFÍSICA. Eu quero "relembrar o Ser", como o fez Nietzsche, ao publicar que "deus está morto". Ou seja, FUGIR DE PLATÃO E VOLTAR PARA A FÍSICA (que inclui ondas de celular e pode incluir alguma forma física de consciência).

Então, voltando ao chão da fábrica do pensamento: COMO RETIRAR DEUS DO SOFREDOR SEM AUMENTAR SEU SOFRIMENTO?

Como eu disse antes, é impossível retirar o sentimento de um deus final no corações dos homens, seja o deus dos judeus ou os outros. Estamos embrutecidos nessa muleta. Um homem sofredor precisa ainda mais de muleta.

TALVEZ PARA TENTAR RESPONDER ESSA QUESTÃO PUDÉSSEMOS PENSAR QUE, SEM A MULETA DO DIVINO, PODERÍAMOS ABRIR O PORTAL DE NOSSO PODER INTERIOR.

O homem é o próprio deus. SOMOS, CADA UM DE NÓS, DEUS EM POTENCIAL. Física e não metafísica. Ao invés de agradecer a um ser abstrato e ausente, deveríamos ativar e agradecer a nós mesmos, potencializando nosso poder de cura e de divindade. Ao invés de agradecer a deus pela cura, agradeça ao médico, a Ciência, aos milhares de doidinhos que se acabaram de estudar para produzir a ressonância magnética.

Mas isso demandaria uma infinidade de anos. Fechar os olhos e sentir que somos deuses, somos poder imenso, somos capacidade infinita, poderia gerar um novo homem, CAPAZ DE SE CURAR SOZINHO, CAPAZ DE EQUILÍBRIO PSICOLÓGICO, capaz de enfrentar a morte com a mesma altivez que encarou a dor.

Como se faz isso?

Eu tenho um protocolo:

1 - falar mal do deus dos judeus;

2 - falar mal de todos os deuses das outras religiões;

3 - nunca falar mal das pessoas que acreditam nessas bobagens (são apenas crianças ignorantes e hipnotizadas);

4 - reafirmar e realimentar o amor por Cristo (com todos os defeitos possíveis, Jesus ainda é menos pior que o deus dos judeus e o amor que nos ensinou está na base de uma possível divindade humana);

5 - curtir e aprender e praticar todas as religiões que não tenham um deus antropomórfico (como o Zen, o Tao, o deus de Benedictus de Spinoza, o divino de Heidegger…);

6 – pensar que a REENCARNAÇÃO é uma plausibilidade lógica que deve ser considerada e induzir o pensamento científico a uma verificação mais rigorosa;

7 - Fazer meditação, zazen, ioga, qualquer coisa que te conecte com o divino (sem deus) e, ao final da meditação, encher-se de GRATIDÃO PELA VIDA, pelo privilégio de viver e evoluir todo dia.

Escrito em Crônica