Quando o mestre diz “lave sua tigela”, ele está dizendo pra você se preocupar com sua vida real, com seu agora. Não há futuro, nem passado, apenas agora. Isso é uma boa filosofia. O passado e o futuro existem na mente especulativa (se eu quero casar, não posso fugir de avaliar o passado e o futuro, obviamente). Entretanto, estar aqui e agora é o melhor lugar. Lembram do filme Mente Brilhante, quando o professor - que tentam nos impor como esquizofrênico - diz ao aluno novo: você já lanchou hoje? e o convida pra lanchar. É mais ou menos isso. O professor investiu heroicamente todas as suas energias na busca da verdade e descobriu que não havia nenhuma verdade, mas o caminho (o Tao) que viver era a verdade e ele aprendeu muito no caminho. As questões metafísicas que Buda nunca atacou, (por covardia, na minha opinião, ou por extrema sabedoria, numa leitura plausível), são questões irresolúveis. Mas a vida real é resolúvel. E Buda resolveu, heroicamente, investir toda sua energia em resolver o enigma do sofrimento. Inventou uma teoria filosófica surpreendente que os ignorantes de seu país tomaram por religião e deturparam... Nunca houve "iluminação". Sidarta nunca despertou. Isso é só invenção da mente barbara dos hindus. Ele se tornou um filósofo magnífico, só isso. As quatro nobres verdades são princípios filosóficos ajustados a vida cotidiana 1 - A vida é desalinhada - Dukkha; 2 - O desalinho (que as pessoas simplificam por "sofrimento") é trsna (sede), que as pessoas traduzem por desejo, apego, carência, que é sempre uma falta, algo que não está aqui, algo que está fora, no futuro ou no passado. Daí, a ideia de voltar ao aqui e agora budista. 3 - A "cura" seria livrar-se do "apego" - "o Buddha nunca disse algo como matar os seus desejos; ele falava da libertação ou liberdade deste apego ao ‘eu quero’ ou ‘eu não quero’ ". 4 - Como se livrar do "apego"? Pelo Caminho Óctuplo, ou seja, a Compreensão Correta, o Pensamento Correto, a Linguagem Correta, a Ação Correta, os Meios de Vida Correto, o Esforço Correto, a Vigilância Correta, a Concentração Correta.
Como se pode ver, uma FILOSOFIA DE VIDA muito útil. Se você quer uma filosofo de estimação, eu recomendo a do velho Sidarta (eliminando, obviamente, toda a carga de religiosidade ritualistica com que o deturparam por séculos).
E respondendo a pergunta:
Por que Nietzsche não lavou sua tigela?
Porque ele enfrentou heroicamente a metafísica, as questões filosóficas mais prementes. Ele escolheu "não viver" simplesmente, cuidado de seu jardim e de sua vida, em busca de uma mitológica "iluminação". No seu caminho (Tao), ele encontrou muitas coisas bonitas: desmascarou as religiões; revelou que, na sua análise, Deus é uma doença dos invejosos; falou do homem forte, que não teme a verdade sangrenta; falou de uma cultura menos infantil que a judaico católica. Mas errou muito também. Doente e só. Ignorado e incompreendido, deixou a "mente" adoecer também. São dois filósofos que gosto muito Sidarta e Nietzsche.