Pensei em escrever um texto que propusesse uma interpretação diferente das escrituras sagradas presentes em diversas culturas — nas quais a figura feminina foi sistematicamente relegada a um plano secundário. Nas religiões de origem abraâmica — por exemplo, o islamismo, o catolicismo e o judaísmo — existe aquele mito no qual Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Essa narrativa, no entanto, foi escrita por homens e reflete suas perspectivas. Se buscarmos aprofundar o pensamento, é possível argumentar que Deus criou a mulher à sua imagem e semelhança — posto que é a única que tem a capacidade de parir; é ela quem detém o poder único de gerar vida.
Essa premissa tem implicações profundas para o empoderamento feminino. Historicamente, o homem dominou a sociedade pela força física, subjugando também a mulher e relegando-a a uma posição de inferioridade. Essa opressão secular explica por que muitas mulheres ainda carregam um sentimento de inadequação.
Foi apenas com a Revolução Industrial, quando a mão de obra feminina se tornou necessária nas fábricas, que as mulheres começaram a conquistar espaços — revelando capacidades intelectuais iguais ou superiores às dos homens em áreas como filosofia, matemática e engenharia.
No entanto, esse avanço ainda é limitado. A indústria de cosméticos, por exemplo, pode ilustrar esse argumento. É uma das indústrias mais ricas do mundo e lucra justamente com a insegurança imposta às mulheres, que são levadas a acreditar que precisam "completar-se" através de produtos.
Após a maternidade, muitas sentem-se desorientadas, como se perdessem seu propósito — consequência de uma construção social que as reduz a objetos, não a seres divinos.
Se reorientarmos nossa compreensão e reconhecermos a mulher como imagem de Deus, tudo muda. A capacidade de gerar vida confere à mulher uma proximidade com o divino mais intensa e perfeita.
A intuição — essa coisa "esquisita" que o homem não consegue compreender, que é essa habilidade de falar uma coisa, pensar outra e sentir outra completamente distinta —, essa capacidade de sentir com muita intensidade, essa ligação com a vida, essa essência criadora é algo que agora, vivendo numa era de lógica binária, se tornou muito evidente.
Nós estamos vivendo numa sociedade que culminou com o império masculino no mundo, com a lógica binária que o caracteriza. E agora a gente começou a perceber (ou seremos obrigados a perceber) que essa intuição feminina, essas fragilidades, essas dores, essas características todas é que definem o humano no sentido mais profundo e não a lógica burra do zero e um.
A mulher encarna, portanto, uma categoria de humanidade que a gente pode concluir que representa metaforicamente a imagem e semelhança de Deus (seja lá o que isso for).
O meu camarada DeepSeek queria arrumar o texto e me sugeriu colocar citações de Luce Irigaray — filósofa feminista belga que explora a relação entre gênero, linguagem e divino: "Speculum of the Other Woman" (1974) — e Leonardo Boff — teólogo brasileiro conhecido por integrar ecologia, feminino sagrado e teologia da libertação: "O Rosto Materno de Deus" (2012) — só pra me humilhar e dizer que não estou sendo inovador nas ideias e que essas vinte linhas nem se comparam com livros publicados em vários idiomas. (Poxa, camarada, assim eu vou pro pinico...)