Um dos efeitos colaterais dessa cepa da nova gripe é a baixa oxigenação cerebral pelo agravamento da sinusite e, consequentemente, um sentimento de agonia e ansiedades crescentes. A dor de cabeça da enxaqueca pode resultar em vômito.
Não bastasse a agonia que sempre senti pela alucinante montanha de informação que se obtém rapidamente através de um simples celular. (Sempre tive agonia do excesso de conhecimento. Um construtor de casa de barro no meio da mata do Vietnã, um ferreiro de espadas samurais no Japão, uma pesca de caviar, uma casa de lobos nos EUA, uma tese de doutorado sobre ansiedade, um podcast sobre a era da reprodutividade técnica, um filme de Krzysztof Kieślowski, O Sétimo Selo, Robert Redford, a resenha de séries da Boscov, OVNIs no Schwarza, Roda Viva, um livro sobre Jesus histórico, Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp).
Chega. Isso me enche de agonia.
Como se resolve isso? Fugindo. Não há outra solução. Acordo, entro no mundo da web, Face, Instagram e Twitter (algumas vezes perco horas a fio por aqui). Depois vou embora. Uma forma de não enlouquecer pelo excesso de informação. Diminui a agonia, mas ela foi agravada pela doença. Agora está mais grave.
Um cara no seu canal do YouTube (Filosofia Vermelha) disse que vai fazer um curso gratuito sobre seu curso de doutorado em psicanálise. Eu não aguento. Minha ansiedade incontrolável precisa explodir: “Considerando que não existe ego, superego, id, complexo de Édipo, inconsciente, porque você ainda se engaja em estudar uma língua morta? Você quer reinventar a mentira?”
Depois ouço a linda, doce, maravilhosa, elegante, talentosíssima, gostosa Aline Bei no podcast da Bom Dia, Obvious com a cabeça sobrecarregada de psicanálise. Foda. Minha amada. Como vou manter meu amor por ti, agora? Minha agonia chega ao limite quando se fala em psicanálise. É como o corno que não deseja que se fale da traição. Eu fui traído, eu fui enganado por Freud. Eu não o perdoo.
Preciso me acalmar. Então, vou ler poesia. Aí, vem um cara e fala em “retradicionalização”. Caralho!!! A retradicionalização é um esgotamento? Não precisa ser. A poesia é um oceano infinito. Para singrá-lo, basta qualquer nau. Ubá, iate, catamarã, navio de carga, transatlântico ou porta-aviões, qualquer poema serve. Foda. Prefiro a poesia bruta, não esnobe, não pretensiosa, um haikai, um vomitar de si dum impoeta do século passado, cheio de ódio pela igreja católica...
Chega. Chega. Vou voltar a criar passarinhos.