01/01/2024

Os Moraes e os Alexandres

Crônica · publicado em 01/01/2024

1 - Um velho e um jovem foram roubar um banco. Quando chegaram lá, o velho disse aos funcionários: “fiquem abaixados e não façam nada; o dinheiro é dos banqueiros e não de vocês, mas a vida é de vocês e não dos banqueiros.”

Ele se comportou, curiosamente, com um princípio de moralidade, ao usar argumento no lugar da força. Era um ladrão menos imoral.

2 - Quando chegaram em casa, o jovem queria contar o dinheiro. O velho, que já havia vivido mais contingências, disse apenas que a televisão informaria o valor do roubo.

O velho viveu mais contingência e aprendeu com elas.

3 - Os gerentes do banco se reuniram para calcular o prejuízo do roubo e decidiram acrescentar mais 10 milhões na informação para a TV, de modo a incluir o mesmo valor que eles mesmo já haviam roubado antes.

Embora, eles usassem também as contingências a seu favor, eram ladrões sem moral.

4 - Os donos do banco decidiram lançar o total informado do roubo na contabilidade de modo a descontar no imposto do governo e não ficar no prejuízo.

Eles utilizaram as leis contábeis válidas para justificar uma moral condenável.

5 - O governo precisou aumentar impostos para cobrir essa perda de arrecadação e toda a população pagou pelos três roubos ao banco.

A ética do governo é, no ideal, utilitarista (pensa na maioria), embora saibamos que seus membros tenham moral duvidosa.

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