A invasão de Gaza acende — de novo — o fósforo das palavras. O mundo assiste, pasmo e cansado, mais uma cena do velho filme: território, foguetes, retaliações, o direito à defesa e a maldição da vingança. Há séculos que o palco é o mesmo. Só os atores mudam.
E nesse teatro de horrores, onde os muros falam mais que os profetas, vale lembrar que a própria terra onde hoje se mata em nome de Deus já produziu um homem que desautorizou a espada. Não com neutralidade omissa, mas com a coragem rara de quem enfrenta o ódio sem imitá-lo. Um judeu. Um galileu. Chamado Jesus.
Ele cresceu no seio de um povo ocupado, numa época em que os zelotes — patriotas radicais — acreditavam que a única resposta ao Império era a faca sob o manto. Eram, por assim dizer, os bolcheviques da Lei, uma espécie de resistência armada com citação bíblica. Para eles, a violência era uma mitzvá. O zelo era arma.
Jesus os conhecia. Talvez até convivesse com alguns. Mas optou por outro caminho. Não negou a injustiça, mas recusou a sua mímica. Enquanto os zelotes juravam fidelidade ao Deus dos Exércitos, ele falava do Deus que perdoa. Onde uns gritavam “Olho por olho!”, ele murmurava “Bem-aventurados os pacificadores”.
Era, por tudo isso, um “Príncipe da Paz”, mas não desses que aparecem em capa de revista humanista. Era príncipe como ironia: realeza sem trono, governo sem espada, vitória pela entrega.
Se os zelotes são os filhos da urgência, Jesus era o homem da paciência. Se eles buscavam libertação com sangue, ele propunha o Tikun Olam — a lenta reparação do mundo, gesto a gesto, pela força da consciência, não da conquista.
Alguns textos rabínicos chamam isso de Yisurim shel Ahavá — sofrimentos por amor. Soa estranho para quem ainda acredita que viver bem é vencer. Mas talvez seja aí que esteja o milagre da resiliência no pensamento judaico: não na negação da dor, mas em dar-lhe sentido. Como Viktor Frankl nos ensinou, o sofrimento sem propósito adoece; com propósito, transforma.
Jesus não foi neutro. Foi um reformador brando. Não pregou resignação, mas transfiguração. Não era o fogo dos zelotes, mas tampouco a água parada dos saduceus. Era fermento. Aquele tipo de revolução que começa de dentro e incomoda por muito mais tempo.
E hoje, enquanto drones cruzam os céus de Gaza e crianças se escondem de explosões com a mesma naturalidade com que deveriam aprender a escrever, a escolha entre o zelo e a paz continua na mesa. Não como teoria, mas como urgência.
Os zelotes continuam. Jesus também. Só resta saber a quem entregaremos as chaves do templo: aos filhos da espada ou ao príncipe desarmado.
Feito pelo Chatgpt
Meu mérito foi apenas os prompts.