pes que arqueiam a terra e marcam o efemero
praia do abandono
miriades, o infinito, balao vazio, grande olho ausente,
imanta sonhos como uma dor
vazio, solidao, medo,
cada grao de areia arde urticaria
frio, nenhum olhar amigo,
nenhum amor
so esse vazio imenso de si mesmo
meu deus, onde ela esta, a filha, perdida nesta praia triste?
onde carregar todos os gestos?
levar o pai no bolso como uma bola de gude
o filho, o pao novo, a semente do ciclo
ó, como pode um oceano brotar de uma fonte tao fragil?
havia um menino monge e perplexo
uma moça também, cuja altivez era toda espuma
nao ha perda
tudo pode ser carregado
tudo pode ser fogo
e a solidao, o infinito
essa praia triste
esse olho que prescruta ironico
tudo serve para aquecer e iluminar o caminho