a suplica infantil recorre inaudivel
a manha impassivel
so os galos detem o canto no momento solene
o vagido do filhote perdido
foi, na sentenca, olvido
ourives, o predador frio executor
cego, surdo e preciso
procura nas tripas quentes e macias
a consciencia fugidia
o sangue ainda pulsa e nao ha moscas
o machado mastiga o cadáver
e a fome de ontem se redimi numa manha vermelha
o gato caminha no telhado, cantando sua litania
meu, meu, meu...
o sangue do justo para a gloria do eterno