com ardor de floresta
certo poeta timido e pobre
roupa para o dia
inutil
regime de fome zen
lingua de feira
rural
certo afeto timorato
por saber terremotos
e uma dor diurna
coisa de onibus e ruas
e essa coisa surda
que eh ser de companhia
nunca houve cair
mas caminhar suave
como tem brisa
habitava um sitio
com desejo de mar
aonde as ninfas iam
em risos de sal e espuma
rindo o riso do tempo perdido
a beleza breve do medo
habitava uma margem oposta
onde vincam os valentes
e respirava entre meninos
panteros
com seus brincos de pirata
por isso era livre
mesmo quando dormia
as suas tarefas diarias
de funcionario precario
so
havia na cidade
um apenas poeta martins
o homem pobre da margem
sem pretensoes academicas
a quem apenas
cabia ter onde ir