06/09/2026

se o bardo fosse meu pai

PoesiasEletivas · publicado em 06/09/2026

eu o veria menino e inseguro
taciturno e assustado, eterizando a presença de um Pai
eu o veria rapaz pobre e sem cultura
tentando se impor numa sociedade que so respeita os fingem saber ler
eu o veria com todos os hormônios ativos e varias opcoes de encontro
eu o veria sensivel, inteligente e ja letrificado,
apaixonando-se perigosamente do lirismo gotico e perigoso de Augusto dos Anjos

"Adeus, adeus, adeus! E, suspirando,
Saí, deixando morta a minha amada,
Vinha o luar iluminando a estrada
E eu vinha pela estrada soluçando. "

eu o veria embebido e bebido, nos primeiros acessos de angustia e nas primeiras letras
eu o veria escarnado pelos saudaveis, os que grassam no erario, e sabem das segundas nupcias
eu o veria nas primeiras nupcias, com aquelas lagrimas imensas do primeiro filho
eu o veria solidificando o perfil de Bardo, por necessidade de autoafirmacao
eu o veria baldo, cultivando a barba como a passarinhos
eu o veria nas segundas nupcias fazendo os acordos de Fausto
eu o veria como praca ou peca de folclore, apontado pelos turistas

mas, principalmente,
eu o veria velho,
alcançando a graca dos anos e a dor da decadencia e a sabedoria do efemero e a palavra lisa na lingua e o olhar de quem tudo ja viu e os hormonios saciados e a alma de menino que reencontra, enfim, o Pai prometido

Escrito em PoesiasEletivas | Tags: bastardo poesia maranhão