19/09/2026

O POETA PEDE AO SEU AMOR QUE LHE ESCREVA

Afins_Federico García Lorca · publicado em 19/09/2026

Amor de minhas entranhas,
morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra
inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me
as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras
minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

Tradução: William Agel de Melo

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