Os
reis não tocam nas portas.
Não
conhecem essa ventura: fazer avançar docemente ou com rudeza
um desses grandes painéis familiares, voltar-se em sua
direção para recolocá-lo no lugar - ter nos
braços uma porta.
A ventura de empunhar no ventre pelo nó de porcelana um
desses altos obstáculos de um cômodo; o corpo-a-corpo
rápido pelo qual por um instante o passo se detém,
o olho se abre e o corpo inteiro se acomoda ao seu novo aposento.
Com
a mão amiga retém ainda, antes de empurrá-la
decididamente e encerrar-se - o que o estalido da mola potente
mas bem azeitada agradavelmente lhe assegura.
(Trad:
Adalberto Müller Jr. e Carlos Loria)