19/09/2026

DE PROFUNDIS

Afins_Georg Trakl · publicado em 19/09/2026

Há
um restolhal, onde cai uma chuva negra.
Há uma árvore marrom;ali solitária.
Há um vento sibilante, que rodeia cabanas vazias.
Como é triste o entardecer
Passando
pela aldeia
A terra órfã recolhe ainda raras espigas.
Seus olhos arregalam-se redondos e dourados no crepúsculo,
E seu colo espera o noivo divino.
Na
volta
Os pastores acharam o doce corpo
Apodrecido no espinheiro.
Sou
uma sombra distante de lugarejos escuros.
O silêncio de Deus
Bebi na fonte do bosque.
Na
minha testa pisa metal frio
Aranhas procuram meu coração.
Há uma luz, que se apaga na minha boca.
À
noite encontrei-me num pântano,
Pleno de lixo e pó das estrelas.
Na avelãzeira
Soaram de novo anjos cristalinos.

Tradução: Cláudia Cavalcante

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