Lamento
cego no vento, dias lunares de inverno,
Infância, os passos se perdem discretos em negra sebe,
Longo toque noturno.
Discreta vem a noite branca,
Transforma
em sonhos purpúreos tormento e dor
Da vida pedregosa,
Para que nunca o espinho deixe o corpo em decomposição.
Profunda
em sono suspira a alma angustiada,
Profundo
o vento em árvores destruídas,
E a figura de lamento da mãe
Vagueia pela floresta solitária
Desse
luto silente; noites
Repletas de lágrimas, de anjos de fogo.
Prateado, espatifa-se contra a parede nua um esqueleto de criança.
Tradução: Cláudia Cavalcante