Longe por cima da baía lotada
de casas vedadas
no meio das nobres chaminés com cãibra
de um terraço atado por varais de roupa
uma mulher enfuna velas
ao vento
pendurando seus lençóis matinais
com pregadores de madeira
Ó
magnífico mamífero
cujas tetas seminuas
projetam sombras tensas
quando ali ela se estica
para afinal estender o último
de seus tão brancos
pecados lavados
o qual porém está molhado de amor
e a circunda e nela se enrosca colado à pele
Pegada com os braços pra cima
ela solta para trás a cabeça
num sornso sem voz
gesto sem escolha e depois
sacode a cabeleira dourada
enquanto nos espaços distantes da paisagem ao mar
entre os panos brancos soprados
perfilam-se os navios brilhantes
que vêm ao reino
Tradução: Leonardo Fróes