Não quero a poesia, o capricho
do poema: quero
reaver a manhã que virou lixo
quero a voz
a tua a minha
aberta no ar como fruta na casa
fora da casa
a voz
dizendo coisas banais
entre risos e ralhos
na vertigem do dia;
não a poesia
o poema o discurso limpo
onde a morte não grita
A mentira
não me alimenta:
alimentam-me
as águas
ainda que sujas rasas
afogadas
do velho poço
hoje entulhado
onde outrora sorrimos
19/09/2026
O poço dos Medeiros
Afins_Ferreira Gullar · publicado em 19/09/2026
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