19/09/2026

Morgue

Afins_Rainer Maria Rilke · publicado em 19/09/2026

Estão prontos, ali, como a
esperar
que um gesto só, ainda que tardio,
possa reconciliar com tanto frio
os corpos e um ao outro harmonizar;
como se algo faltasse para o fim.
Que nome no seu bolso já vazio
há por achar? Alguém procura, enfim,
enxugar dos seus lábios o fastio:
em vão; eles só ficam mais
polidos.
A barba está mais dura, todavia
ficou mais limpa ao toque do vigia,
para não repugnar o
circunstante.
Os olhos, sob a pálpebra, invertidos,
olham só para dentro, doravante.

Tradução: Augusto de Campos

Escrito em Afins_Rainer Maria Rilke | Tags: Rainer Maria Rilke poesia acervo O Poema poesia traduzida