19/09/2026

PAPOULAS DE JULHO

Afins_Sylvia Plath · publicado em 19/09/2026

Ó
papoulinhas pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?
Vocês
vibram. É impossível tocá-las.
Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.
E
me fatiga ficar a olhá-las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.
Uma
boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!
Há
vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?
Se
eu pudesse sangrar, ou dormir !
Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida !
Ou
que seus licores filtrem-se em mim, nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.
Mas sem cor. Sem cor alguma.

Tradução: de Afonso Félix de Souza

Escrito em Afins_Sylvia Plath | Tags: Sylvia Plath poesia acervo O Poema poesia traduzida