Você partiu,
como se diz,
para o outro mundo.
Vácuo. . .
Você sobe,
entremeado às estrelas.
Nem álcool,
nem moedas.
Sóbrio.
Vôo sem
fundo.
Não, lessiênin,
não posso
fazer troça, -
Na boca
uma lasca amarga
não a mofa.
Olho -
sangue nas mãos
frouxas,
você sacode
o invólucro
dos ossos.
Sim,
se você tivesse
um patrono no "Posto"
(1)
-
ganharia
um
conteúdo
bem diverso:
todo dia
uma
quota
de cem versos,
longos
e lerdos,
como Dorônin
(2)
Remédio? Para mim, despautério: mais cedo ainda você estaria nessa corda. Melhor morrer de vodca que de tédio ! Não revelam as razões desse impulso nem o nó, nem a navalha aberta. Pare, basta ! Você perdeu o senso? - Deixar que a cal mortal Ihe cubra o rosto? Você, com todo esse talento para o impossível; hábil como poucos. Por quê? Para quê? Perplexidade. - É o vinho! - a crítica esbraveja. Tese: refratário à sociedade. Corolário: muito vinho e cerveja. Sim, se você trocasse a boêmia pela classe; A classe agiria em você, e Ihe daria um norte. E a classe por acaso mata a sede com xarope? Ela sabe beber - nada tem de abstêmia. Talvez, se houvesse tinta no "Inglaterra" (3) ; você não cortaria os pulsos. Os plagiários felizes pedem: bis! Já todo um pelotão em auto-execução. Para que aumentar o rol de suicidas? Antes aumentar a produção de tinta! Agora para sempre tua boca está cerrada. Difícil e inútil excogitar enigmas. O povo, o inventa-línguas, perdeu o canoro contramestre de noitadas. E levam versos velhos ao velório, sucata de extintas exéquias. Rimas gastas empalam os despojos, - é assim que se honra um poeta? -Não te ergueram ainda um monumento - onde o som do bronze ou o grave granito? - E já vão empilhando no jazigo dedicatórias e ex-votos: excremento. Teu nome escorrido no muco, teus versos, Sóbinov (4) os babuja, voz quérula sob bétulas murchas - "Nem palavra, amigo, nem so-o-luço". Ah, que eu saberia dar um fim a esse Leonid Loengrim! (5) Saltaria - escândalo estridente: - Chega de tremores de voz!